Terça-feira, 15 de Maio de 2012
descobri-o


Conhecia-o, mas não o conhecia. Ou melhor, não o conhecia de todo. Para quê mentir. Para quê fechar os olhos a uma morte tão estúpida se nem o conhecia? Não vou conhecer. Ainda assim, vou sonhar com ele. Vou adormecer por ele. Vou simpatizar com ele. E por fim, odia-lo por me ter deixado sem que eu o pudesse conhecer. Porque afinal de contas conhecia-o. Conhecia-o cá dentro. Só estava por descobrir.



publicado por lugar_teu às 21:34
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Sexta-feira, 11 de Maio de 2012
Que desta seja a última vez que eu digo: última.


Última noite de queima. a última das últimas. porque tem mesmo que ser. embora eu nunca o quisesse. ser a última implica muito mais do que um fim. é um início. é uma catrefada de memórias, momentos, risos, lágrimas e um tudo mais. é aquele gosto amargo do ter que sair sem olhar para trás. porque se olharmos, não vamos ter coragem. vamos querer voltar uma e outra vez mais. sempre com o desejo de voltar a viver o que já não se pode viver mais. agarrar os sonhos de pulsos cerrados. porque enquanto cá estamos tudo é possível. tudo é passível de ser realizado. lá fora é apenas a incerteza dos dias que nos esperam.
Ficou tanto por viver, mas desta tem que ser de vez.
Adeus. Até sempre cidade do meu coração.



publicado por lugar_teu às 18:41
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Quarta-feira, 25 de Abril de 2012
das coisas de criança na maioridade:



Porque não posso eu ter um amor assim?




publicado por lugar_teu às 22:01
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da chuva

Há dias em que acordo assim: dormente.
Nostalgia a transbordar no olhar. Na paisagem da varanda.
Há dias em que sinto mais a tua ausência. A falta que me fazes. Dias em que vagueio por ruas despidas, lugares outrora nossos.
Hoje chove. Lá fora também. O eco da chuva ouve-se cá dentro porque há um vazio infinito por preencher. Se me deixasse ficar de certo virias. Mas não posso. Não posso querer, desejá-lo sequer. Sou errante. Não posso prender-me aos dias cinzentos, às manhãs de inverno, às noites de solidão.



publicado por lugar_teu às 15:41
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Quinta-feira, 29 de Março de 2012
lugar comum

é um lugar comum neste lugar. a perda. vivo constantemente atormentada por ela. são as gentes que vão. são as que mudam. são as que deixam de interessar. são tantas que ainda lembro mas já não falo. e cada etapa mais, eu sei, há-de levar-me mais um ou outro. ou mesmo todos. é assim. deixa-me perdida esta constatação. deixa-me presa a um passado que chego a duvidar. dói tanto pensar que mais cedo ou mais tarde hei-de acabar sozinha. como tia, solteirona e ainda solitária. como alguém me disse um dia: uma causa perdida. da vida, toda ela uma causa perdida.



publicado por lugar_teu às 20:33
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Quarta-feira, 28 de Março de 2012
das repetições

Foi hoje o dia D. Ainda não (me) deixei lavar a angustia de ter desistido. Sinto-me triste. Para quê ao certo as resoluções de ano novo? Repetir uma vez acontece. Repetir duas só acontece a quem não lutou devidamente pelos seus sonhos.




Quinta-feira, 22 de Março de 2012
a não esquecer:


publicado por lugar_teu às 18:19
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Terça-feira, 20 de Março de 2012
da nostalgia.

 

É saudade das palavras. Das eternas despedidas. Dos abraços e beijos roubados ao tempo. Dos jantares perdidos. Dos nós desfeitos do meu cabelo.
Há coisas que não se esquecem. Há momentos que pela sua suave passagem nos marcam. É saudade. Hoje, sempre. A saudade.



publicado por lugar_teu às 22:32
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Quarta-feira, 14 de Março de 2012
Foi só para ser mau.

Hoje não houve nem haverá desculpas. foi só para ser mau. viu-se no rosto dele. ouviu-se nas palavras dele.



publicado por lugar_teu às 22:07
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Sexta-feira, 9 de Março de 2012
'oh honey, there is a beautiful day in New York city.

it´s the only thing i want to say.



publicado por lugar_teu às 15:26
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Quinta-feira, 8 de Março de 2012
as listas.


     É como se fosse dar a sua vida para alguma experiencia que desconhece. Desconhece este mundo onde a deixaram. Já não ouve o que lhe dizem, perdeu-se na previsão dos três meses. Começa a fazer listas mentais do que ainda quer fazer. Coisas. Essencialmente emoções às quais ainda não se deu ortunidade de poder viver. Para quê tanto drama. Tantos enredos complexos. Agora já nada importa. Deixou de ouvir quando lhe deram três meses. Decide de imediato fazer o que não fez. Correr mundo fora à procura de um amor. Do seu amor. Talvez encontrar-se no outro. Porque isso, ela nunca viveu. Nunca deixou por um minuto só de pensar nela. E agora, tanto faz. Que importa. Dão-lhe três meses e ela nem pode protestar.




Sábado, 3 de Março de 2012
pergunta retórica:
 
 


publicado por lugar_teu às 01:00
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Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012
fui ali, andar pela vida, já venho.

A tua tarefa é andar -respondeu a avó. Um corpo imóvel limita-se a si próprio, um corpo em movimento expande-se, torna-se parte do todo, mas é preciso saber andar com ligeireza, sem cargas pesadas. Andar enche-nos de energia e transforma-nos em borboletas que se elevam e vêem realmente o mundo tal como é. A vida tal como é. O nosso corpo tal como é. É a eternidade da consciência. É a compreensão de todas as coisas. Isso é Deus em nós mas, se quiseres, podes ficar sentada e transformar-te em pedra.

in Malinche de Laura Esquivel



publicado por lugar_teu às 22:23
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Sábado, 25 de Fevereiro de 2012
' entre a dúvida do que sou

sem paredes, sem ter portas nem janelas
nem muros para derrubar
talvez um dia me encontre.
assim, talvez me encontre

Trovante, 125 Azul

 



publicado por lugar_teu às 18:39
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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012
A cor da chuva na calçada da cidade.

Enquanto tomava o seu pequeno-almoço de uma tigela funda cheia de cereais, olhou a rua pela janela da cozinha. Chovia. A potes -pensou ele. Vai querer sair para lavar a alma dos pecados que tem cometido. Não sabe como chegou ao ponto de ter que mentir à própria mãe que sempre lhe estendeu a mão. Ao pai que o ensinou a ser recto nas decisões e nas acções, já nem encara. Vai mesmo querer sair. Apanhar os salpicos da chuva quando bate com força no passeio. Ouvir o silêncio quebrado da cidade fantasma que o esqueceu. As ruas parecem-lhe outras. São outras, na verdade, porque as viu com outra luz, outro sabor, outro cheiro que não se vê nos dias quentes de Verão. Agora faz frio e a chuva lava o que de noite ele manchou. Saiu, de vez, para rasgar os crimes de uma noite mais.



publicado por lugar_teu às 14:03
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Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012
amanhã [hoje] um outro dia

Parece estar tudo mal. Sinto a tua falta e penso que se por uma outra razão ainda por cá estivesses eu não teria que passar por nada disto. Há dias em que penso que vais entrar a qualquer momento pela porta e pedir desculpa pelo atraso. Custa muito, ainda hoje, aceitar que não voltas. Que  temos de viver as nossas vidas fingindo que não mudou nada. Mudou. Mudou tudo. A casa. As relações. Os olhares [que já não se tocam]. As festas. As mágoas. Os compromissos. As responsabilidades.
Estou no limite do que sei. Do que não sei. Do que posso fazer.
A ajuda não chega, mas as decisões têm que ser tomadas. Não gosto de obrigar niguém. Não gosto, tão pouco, de agir contra a vontade de outros. Gostava sim, que mandasses um pouco só de compreensão. Necessito de alguma astucia, uma pitada de autoridade e se não for pedir muito uma palavrinha tua.



publicado por lugar_teu às 23:58
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Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012
à parte o ser por aqui dia dos namorados,

 

fui ver...



... está maravilhoso.




Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012
e fui

Fiz as malas. Entrei no teu carro edeixei-me levar. Não sei onde chegámos, mas sei que enquanto estiver contigo, estarei em casa.



publicado por lugar_teu às 18:38
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Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012
e é uma espécie disto.


publicado por lugar_teu às 18:12
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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012
assim, continuarei a amar.

o estranho caso de alguém que amo. é vê-los a perder o folgo. é ver a juventude a desvanecer. as rugas cada vez mais fundas. e depois passa-se a andar de mão dada. e depois a não comer pela própria mão. a já não saber falar. e a ter quem os ame como são. a retribuir tudo o que deram. a ser condescendentes e a amar. e amar. e quando já nada parece resultar insistem e continuam a amar.



publicado por lugar_teu às 18:48
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Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012
Entrei naquela semana...

                                        enfim, há-de passar.



publicado por lugar_teu às 14:49
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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012
apesar de tudo, desejo-vos um bom ano novo..

os dias passam e parecem-me todos iguais ao litro. ninguém diria que 2011 já se foi. ninguém diria, ou pelos menos eu não o diria, que 2012 já veio bater à porta. Tive que o deixar entrar. as resoluções ficam para depois. um depois sem exigências ou remorsos.




Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2011
depois da primeira frase, não tenho palavras para o título

não consigo parar de pensar em ti. não há maneira de me fazer esquecer o que não passámos juntos. o que nos foi roubado só porque sim. porque sou teimosa e o orgulho fala, sempre, mais alto. sinto que és a peça que me falta para puder avançar uma vez mais. por sinal, são estas coisas que me deixam estagnada num tempo que já não é o nosso. de uma vez. tenho que te tirar de cá de dentro de uma vez. começar a tapar os casos inacabados. calar de vez as palavras que não foram ditas. ou solta-las aos quatro ventos. alguma coisa que me tire deste sítio que não é a minha casa. que não me deixa dormir. calar-te de vez. matar-nos de vez.



publicado por lugar_teu às 18:28
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Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011
Foi a lua que me deste.






Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011
não se sabe.


Não percebo o porquê desta vida que não pára. É vê-los envelhecer. ver-me envelhecer. Saber que a vida um dia acaba. Aquilo que conhecemos não volta. As memórias vão-se e voltam em pedaços. despedaçados. Os amigos. Os abraços. Os voos. É tudo tão fugaz. Tudo uma ilusão que nos faz permanecer por aqui, mesmo não sabendo o vem de lá. Se a calmaria. Se a tempestade. Se o perpétuo silêncio.



publicado por lugar_teu às 11:27
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Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011
"please let me get what i want"

se souberes o que eu quero. porque hoje não me sinto. não me sei. não me conheço. mas preciso urgentemente de algo que não tenho. que não sei. que não se vende.



publicado por lugar_teu às 14:39
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Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2011
uma última vez



 

 



Chegou o seu momento. ela soube-o. está só a inspirar e a ganhar balanço. coragem. É o memento dela. vai finalmente ter paz. Só o branco a invadir a tempestade. o mar a enrolar na areia. e o silêncio.

Está só a puxar de um último cigarro.



publicado por lugar_teu às 22:47
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Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2011
Um dia mais.

     Quando o deixou bater a porta, não imaginava que seria a última vez que o via. Mesmo hoje, quando sai à sua procura, já não o encontra nos sítios que eram dos dois. No banco do jardim - a solidão. Na calçada junto à igreja - a mágoa. Na paragem do autocarro - a ausência. Ela não quer acreditar. Mas o pôr-do-sol alaranjado dos dias mornos do Outono sussurram-lhe ao ouvido: deixa-o ir.



publicado por lugar_teu às 16:57
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Quarta-feira, 30 de Novembro de 2011
A tua rua.


São momentos preciosos. Ele estende-lhe a mão. Ela diz que não, mas sobe a escada para ficar ao nivel dele. São pérolas escondidas numa vida que já não recorda. Aquela vida que a fazia ficar acordada noite fora ao frio. Os homens a olharem e ela com medo. Medo do futuro, não deles. Aos homens- ela sabia-os de cor. As deixas. As manias. As fantasias. Mas ao futuro, temia-o. Como ainda hoje teme olhar por mais que um dia só. Porque só um dia pode levar-lhe a felicidade que alcançou. Um só dia pode desvia-la do objectivo que quis tomar para si. O de não voltar a passar pela rua dele. A rua onde ele lhe roubou o ar. As pedras da calçada manchada por gritos. As parades das casas de dois andares tingidas por maus tratos. Aquela rua onde um dia pensou ser feliz. Onde também deixou ficar os maços de tabaco. Os homens que a olhavam. O homem que lhe estendeu a mão.



publicado por lugar_teu às 14:19
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Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011
Das más notícias ainda.


Há dias em que me fazes tanta falta. E outros ainda em que não sei como posso viver sem te ter aqui do meu lado. Levanto-me, faço a cama sem reclamar e olho o teu quarto pela porta entreaberta. Não há verdade mais dura do que a nossa.



publicado por lugar_teu às 17:14
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